Tonia Carrero estréia peça em Santo André

Por Tatiana Ferreira
Santo André recebe neste final de semana uma das grandes divas da história do teatro nacional. A peça Chega de História!, estrelada por Tonia Carrero e Nilton Bicudo, com texto e direção de Fauzi Arap faz sua estréia nacional neste sábado (11) no teatro Municipal de Santo André.
Na peça Seu Enrico, personagem de Bicudo, é um administrador de um espaço cultural prestes a fechar suas portas que convida para apresentar a última palestra no local D.Filó (Tonia Carrero),uma velha professora aposentada, que vive com um pequeno salário do INSS. Mesmo não entendendo muito de História ela aceita a proposta. “Faço uma mulher que dá uma aula de história sem saber nada do assunto. Quero fazer o público rir, viajar com a peça, ser amada”, contou a atriz.
O evento, em princípio inofensivo, acaba se transformando em um verdadeiro ato público, onde são denunciadas as precárias condições em que sobrevivem a educação e a cultura do nosso país.
“Essa é a peça mais difícil da minha carreira. Até porque é uma peça atual. Para compor a D. Filó pesquisei com minha imaginação a situação social do país. Acredito que o texto serve para dar agulhadas na cultura nacional e nos nossos políticos’, afirmou Tonia.
O texto aborda a falta de intelectualização do país o comércio que existe na cultura.
A peça ficará em cartaz neste sábado (11) às 21 h e no domingo (12), às 18h em Santo André antes de viajar pelo interior do Estado e a partir do dia 21 de julho a peça ficará em cartaz no Espaço Promon, em São Paulo.
O Teatro Municipal fica na Praça IV Centenário, s/n. Os ingressos variam de R$ 20 a R$ 40. Informações pelo telefone: 4433-0789.
Uma vida dedica as artes
A atriz veio de uma família onde seu pai era oficial do Exército Brasileiro, que morreu general. Seus irmãos também seguiram carreira militar. Só a menina, contrariando a vontade materna, “nadou contra a maré”, e bem cedo se interessou por artes, balé, teatro, etc. Formou-se em Educação Física.
“Você vai ser uma ótima senhora da sociedade, mas não tem nada a ver com teatro”. O prognóstico foi do seu primeiro professor de teatro, em Paris, e poderia acabar com a carreira de qualquer um. Mas não a da obstinada carioca Maria Antonieta Porto Carrero ou simplesmente Tonia Carrero que voltou ao Brasil disposta a enfrentar todos os obstáculos para chegar
aos palcos. “Sou uma mulher feliz e realizada. Não me arrependo de nada”, diz Tonia.
Aí já estava casada com um artista requintado de nome Carlos Arthur Thiré. Com ele teve seu único filho Cecil Thiré, também ator e com quem já chegou a trabalhar. Sempre lindíssima, a beleza a ajudou, mas não trabalhou em Paris. Só estudou. Outra vez no Brasil, trabalhou no filme “Querida Suzana”, onde entrava muda e saia calada, mas não demorou a apareceu no jornal uma crônica sobre ela, com o título: “Nasce uma estrela”. Não quis fazer chanchada, não quis fazer Atlântica, queria fazer coisas boas e em boas companhias. Um dia Rubem Braga a indicou para Fernando de Barros para fazer um filme. Foi assim que Tonia foi fazer “Caminhos do Sul”, um filme todo rodado no Rio Grande do Sul. Logo após também fez um outro de Fernando chamado, “Perdidas pela Paixão”.
Em 1949, a convite também de Fernando de Barros, fez sua estréia no Teatro, com a peça “Um Deus Dormiu Lá em Casa”, de Guilherme Figueiredo, ao lado de Paulo Autran, que futuramente se tornaria seu amante. Com essa peça, ganhou o prêmio de revelação, foi para SP e acabou entrando para a Companhia Vera Cruz. Ficou lá de 50 a 54, fez alguns filmes entre eles “Apassionata”, “Mãos Sangrentas”, “Tico Tico no Fubá”, “É Proibido Beijar”. Estava no meio da produção de “Ana Terra”, quando a Vera Cruz faliu e tudo acabou.
Antes de se tornar uma das musas da Companhia fundada em São Bernardo, a atriz havia passado rapidamente pelo TBC, onde logo retornou com uma peça chamada “Uma Certa Cabana”, logo após, fez “Cândida”, de Bernard Shaw. Fez ainda, “O Profundo Mar Azul”, “Santa Marta Fabril SA” e “A Viúva Astuciosa”. Em 57 fez a peça “Entre Quatro Paredes”, de Sartre.
Foi ainda personagem de Ibsen, Tchekov, Shakespeare, Pirandello, Tenesse Williams, Edward Albee, Becket, Guilherme Figueiredo, Plínio Marcos e Nelson Rodrigues. Tornou-se empresária e criou a sua própria companhia ao lado do marido e do amigo Paulo Autran, a Celi-Tonia-Autran, com a qual chegou a montar 40 peças em seis anos.
A televisão também esteve presente em sua vida. Fez a novela “Sangue do Meu Sangue” na Record, onde ganhou o Prêmio Roquete Pinto. Depois fez dois trabalhos que gosta muito, “Pigmalião 70” e “Água Viva”, na Globo . Foi para a Manchete e fez “Kananga do Japão”.
Teve três grandes experiências com o Teatro Moderno: “A Amante Inglesa”, “Navalha Na Carne”, onde ganhou o prêmio Moliére, e mais tarde “Quartett”, de Beckett, ao lado de Sérgio Brito. Esse espetáculo lhe rendeu o segundo Moliére.
Seus últimos trabalhos no teatro foram “Equilíbrio Delicado”, de Albee, “O Jardim Das Cerejeiras”, de Tchekov e “A Visita Da Velha Senhora”, e “Amigos Para Sempre”.
Seu último trabalho na TV foi vivendo a dona de bordel Bertha Legrandna novela “Senhora Do Destino” de Agnaldo Silva. Semana passada gravou um episódio para a Série Retrato Falado, com Denise Fraga, a ser exibido no Fantástico.
Tonia Carrero é uma mulher linda ainda e inteligente, que sabe entender as coisas, sabe analisá-las. Sabe, por exemplo, que a carreira de atriz no Brasil tem altos e baixos. Às vezes os textos são bons e às vezes ruíns. É preciso saber passar, saber viver. Prêmio recebeu todos: “Velho Guerreiro”, “Moliére”, o “APCT”, o “APTESP”, “Prêmio do Mérito Militar”, “Legion des Arts et des Lettres” da França e comendas. Mas, para ela o verdadeiro prêmio foi o filho que Deus lhe deu, e que já lhe deu netos e bisnetos. Tonia é bisavó. E feliz com isso. Foi casada por três vezes. E foi muito feliz com seus amores. Sempre homens inteligentes, que muito a ensinaram, segundo ela.
Aos 82 anos, tem lugar cativo em qualquer lista das mulheres mais lindas do século. “Idade não importa. É melhor ficar velha do que morrer cedo”, recomenda.
Antes de se tornar uma das musas da Companhia fundada em São Bernardo, a atriz havia passado rapidamente pelo TBC, onde logo retornou com uma peça chamada “Uma Certa Cabana”, logo após, fez “Cândida”, de Bernard Shaw. Fez ainda, “O Profundo Mar Azul”, “Santa Marta Fabril SA” e “A Viúva Astuciosa”. Em 57 fez a peça “Entre Quatro Paredes”, de Sartre.
Foi ainda personagem de Ibsen, Tchekov, Shakespeare, Pirandello, Tenesse Williams, Edward Albee, Becket, Guilherme Figueiredo, Plínio Marcos e Nelson Rodrigues. Tornou-se empresária e criou a sua própria companhia ao lado do marido e do amigo Paulo Autran, a Celi-Tonia-Autran, com a qual chegou a montar 40 peças em seis anos.
A televisão também esteve presente em sua vida. Fez a novela “Sangue do Meu Sangue” na Record, onde ganhou o Prêmio Roquete Pinto. Depois fez dois trabalhos que gosta muito, “Pigmalião 70” e “Água Viva”, na Globo . Foi para a Manchete e fez “Kananga do Japão”.
Teve três grandes experiências com o Teatro Moderno: “A Amante Inglesa”, “Navalha Na Carne”, onde ganhou o prêmio Moliére, e mais tarde “Quartett”, de Beckett, ao lado de Sérgio Brito. Esse espetáculo lhe rendeu o segundo Moliére.
Seus últimos trabalhos no teatro foram “Equilíbrio Delicado”, de Albee, “O Jardim Das Cerejeiras”, de Tchekov e “A Visita Da Velha Senhora”, e “Amigos Para Sempre”.
Seu último trabalho na TV foi vivendo a dona de bordel Bertha Legrandna novela “Senhora Do Destino” de Agnaldo Silva. Semana passada gravou um episódio para a Série Retrato Falado, com Denise Fraga, a ser exibido no Fantástico.
Tonia Carrero é uma mulher linda ainda e inteligente, que sabe entender as coisas, sabe analisá-las. Sabe, por exemplo, que a carreira de atriz no Brasil tem altos e baixos. Às vezes os textos são bons e às vezes ruíns. É preciso saber passar, saber viver. Prêmio recebeu todos: “Velho Guerreiro”, “Moliére”, o “APCT”, o “APTESP”, “Prêmio do Mérito Militar”, “Legion des Arts et des Lettres” da França e comendas. Mas, para ela o verdadeiro prêmio foi o filho que Deus lhe deu, e que já lhe deu netos e bisnetos. Tonia é bisavó. E feliz com isso. Foi casada por três vezes. E foi muito feliz com seus amores. Sempre homens inteligentes, que muito a ensinaram, segundo ela.
Aos 82 anos, tem lugar cativo em qualquer lista das mulheres mais lindas do século. “Idade não importa. É melhor ficar velha do que morrer cedo”, recomenda.
Bisavó, três casamentos, uma vida de trabalho intenso, de sucessos e de grandes emoções. E ainda continua cultivando a religião de sua beleza física...
Como é, para você, uma mulher que foi considerada como uma das mais bela de seu tempo, chegar aos 82 anos?
Tonia - Envelhecer é ruim para qualquer mulher, mas, para quem foi muito bonita, é pior ainda. É difícil aceitar as manchas na pele, a flacidez nos braços, as rugas. O corpo vai estragando a olhos vistos. Não saio mais com as pernas ou cos braços de fora, escondo as partes que entregam minha idade. Meu ritmo está mais lento para tudo, sinto mais dificuldade para levantar de uma cadeira, para lembrar de nomes.Mas espero usufruir a vida até que uma boa morte me leve. Teria sido muito vantajoso ter morrido jovem, pois todos viram estrelas quando morrem cedo. Mas agora é tarde para eu pensar nisso.
Você acha que a beleza atrapalha? É verdade que para uma mulher bonita provar seu talento é mais difícil?
Tonia - Não acho que beleza atrapalhe, ao contrário. Tenho sorte por isso, fui abençoada. Mas minha ambição sempre foi, além disso. Muito mais importante é a ambição intelectual. Uma vez um crítico de teatro disse para mim que se não fosse tão bela, poderia ter notado logo meu talento. Pode?
A mulher mudou muito desde a sua mocidade. Diria o mesmo dos homens?Tonia - Os mais jovens evoluíram muito, são muito mais companheiros de suas mulheres do que os de minha geração. Vejo pelos meus netos. Os da minha geração estão péssimos, caquéticos, caindo pelas tabelas. Não podem mais entreter uma mulher, como ela precisa. Eu não queria mais estar casada, a menos que fosse com uma pessoa bem mais nova do que eu.
Você demonstra que se sentiu subestimada pelos maridos. Estou certa?Tonia - Não apenas subestimada. Me amaram mal e não me respeitaram na medida em que eu precisava, por causa da rivalidade. A mulher não engana o homem com facilidade e, quando percebe que está sendo enganada, sente uma raiva muito grande. Meus três maridos foram muito machistas e me enganaram muito com outras mulheres. O terceiro, que era sete anos mais jovem do que eu, era extremamente namorador. Perdi oportunidades ótimas de fazer o mesmo com eles, de burra que sou.
Mas a senhora já assumiu que teve um romance por dois anos com o ator Paulo Autran durante seu primeiro casamento, com Carlos Thiré, e que mais tarde também se envolveu com o escritor Rubem Braga. Tonia - Thiré achava que não havia perigo com o Paulo Autran, que haveria só amizade entre nós. Ele era extremamente machista. Interessava-se tanto por minhas amigas, que lhe propus ter um casamento aberto. Ele não levou a sério minha proposta, que era muito avançada para a época. A mulher é muito mais forte do que o homem. Sempre tive pena dos homens, por fazerem tanta bobagem.
Como é, para você, uma mulher que foi considerada como uma das mais bela de seu tempo, chegar aos 82 anos?
Tonia - Envelhecer é ruim para qualquer mulher, mas, para quem foi muito bonita, é pior ainda. É difícil aceitar as manchas na pele, a flacidez nos braços, as rugas. O corpo vai estragando a olhos vistos. Não saio mais com as pernas ou cos braços de fora, escondo as partes que entregam minha idade. Meu ritmo está mais lento para tudo, sinto mais dificuldade para levantar de uma cadeira, para lembrar de nomes.Mas espero usufruir a vida até que uma boa morte me leve. Teria sido muito vantajoso ter morrido jovem, pois todos viram estrelas quando morrem cedo. Mas agora é tarde para eu pensar nisso.
Você acha que a beleza atrapalha? É verdade que para uma mulher bonita provar seu talento é mais difícil?
Tonia - Não acho que beleza atrapalhe, ao contrário. Tenho sorte por isso, fui abençoada. Mas minha ambição sempre foi, além disso. Muito mais importante é a ambição intelectual. Uma vez um crítico de teatro disse para mim que se não fosse tão bela, poderia ter notado logo meu talento. Pode?
A mulher mudou muito desde a sua mocidade. Diria o mesmo dos homens?Tonia - Os mais jovens evoluíram muito, são muito mais companheiros de suas mulheres do que os de minha geração. Vejo pelos meus netos. Os da minha geração estão péssimos, caquéticos, caindo pelas tabelas. Não podem mais entreter uma mulher, como ela precisa. Eu não queria mais estar casada, a menos que fosse com uma pessoa bem mais nova do que eu.
Você demonstra que se sentiu subestimada pelos maridos. Estou certa?Tonia - Não apenas subestimada. Me amaram mal e não me respeitaram na medida em que eu precisava, por causa da rivalidade. A mulher não engana o homem com facilidade e, quando percebe que está sendo enganada, sente uma raiva muito grande. Meus três maridos foram muito machistas e me enganaram muito com outras mulheres. O terceiro, que era sete anos mais jovem do que eu, era extremamente namorador. Perdi oportunidades ótimas de fazer o mesmo com eles, de burra que sou.
Mas a senhora já assumiu que teve um romance por dois anos com o ator Paulo Autran durante seu primeiro casamento, com Carlos Thiré, e que mais tarde também se envolveu com o escritor Rubem Braga. Tonia - Thiré achava que não havia perigo com o Paulo Autran, que haveria só amizade entre nós. Ele era extremamente machista. Interessava-se tanto por minhas amigas, que lhe propus ter um casamento aberto. Ele não levou a sério minha proposta, que era muito avançada para a época. A mulher é muito mais forte do que o homem. Sempre tive pena dos homens, por fazerem tanta bobagem.
Você se queixa de não atuar na TV, mas em 2004 teve uma participação na novela "Senhora do Destino", na TV Globo, vivendo a dona de bordel Bertha Legrand.Tonia - Uma participação mínima, e porque o Wolf Maia (diretor da novela) é meu amigo e sabia que (imitando sotaque francês) "parra mim é muito facile fazer sotaque frrancês". Eu adoro televisão, gostaria que me chamassem mais.
Como foi sua passagem pela Cia Vera Cruz em são Bernardo?
Tonia – Tenho boas recordações da Vera Cruz. Minha carreira praticamente começou na Vera Cruz. Tive a felicidade de fazer três filmes, me apaixonei pelo Celi (segundo marido) e me tornei reconhecida principalmente depois de Tico Tico no Fubá (1952).
Quais são suas melhores recordações do passado?
Tonia - Vim de uma geração que aprendeu a andar e a falar em cena, inclusive a não ter sotaque carregado. Ninguém percebe, quando falo, que sou carioca. Sou da mesma escola de Fernanda (Montenegro), Paulo (Autran), Ítalo Rossi, Maria Delia Costa e Natália Timberg.
Chega de História denuncia as precárias condições em que sobrevivem a educação e a cultura do nosso país.O que você acha sobre isso?
Tonia – Quem não pode ir a Fernando Henrique, como eu fiz, pode ir a Caixa Econômica, ao Itaú, ao Banco do Brasil... Está cheio de empresa querendo patrocinar cultura.
Qual a melhor coisa que a idade trouxe?
Tonia - A melhor coisa de ficar velha é que hoje estou acima do bem e do mal: digo o que bem entendo, não tenho medo.
Como você analisa sua trajetória artística?
Tonia – Eu me tornei atriz porque sempre gostei disso. Tive que provar a muitas pessoas que eu era capaz de trabalhar para a cultura. Por isso, sempre fiz minhas escolhas baseadas na qualidade e não na qualidade.Deixei de fazer as chanchadas da Atlântica por isso. Hoje quero fazer da minha velhice uma coisa bonita, sem decepcionar meus fãs.
Você pretende se aposentar?
Tonia – De jeito nenhum. Perguntar seu eu vou me aposentar é o mesmo que perguntar quando vou morrer.
Quais seus planos para o futuro?
Tonia – Por enquanto penso só na turnê da peça Chega de História. Espero que o público goste.


0 Comments:
Post a Comment
<< Home