A rota do lixo no ABCD
No Grande ABCD são produzidos mensalmente cerca de 55 mil toneladas de resíduos que têm como destino final o aterro sanitário da empresa Lara Comércio e Prestação de Serviços LTDA, no bairro Sertãozinho em Mauá. O aterro recebe em média 1.579 toneladas de lixo por dia produzidas por seis das sete cidades da região.
Das 240 mil toneladas geradas por dia em todo o país, cerca de 100 mil corresponde ao lixo domiciliar. Desses, cerca de 80% é lançado em lixões a céu aberto ou perto de cursos d’água. Apenas 10% do lixo é colocado em aterros sanitários, que oferecem condições estruturais para reduzir os danos ambientais.
“O problema do lixo na verdade é de educação. O poder público, além de não fazer sua parte, também não fiscaliza o trabalho que é feito pela empresa contratada”, afirmou o presidente do Movimento em Defesa da Vida no ABC, Virgílio Alcides de Farias.
Segundo Farias, que também é educador ambiental da S.O.S. Mata Atlântica, a velocidade do crescimento populacional e urbano e a falta de leis de proteção ao meio ambiente fazem com que o destino de grande quantidade de lixo seja impróprio e incerto.
Atualmente, cada cidade paga em média R$ 35 por tonelada à empresa que cuida do Aterro em Mauá.
No entender do educador, se os municípios investissem em um projeto de reciclagem seriam reduzidos em 85% os custos com o serviço de coleta.
São Bernardo é a cidade que produz maior volume de lixo na região. São 510,9 toneladas por dia e um gasto mensal em torno de R$ 540 mil. Desse total, 20% são resíduos potencialmente recicláveis que são encaminhados para os Centros de Ecologia e Cidadania, o doméstico vai direto para o aterro sanitário de Mauá e o lixo hospitalar, coletado de segunda a domingo pela ATT-Ambiental LTDA passa por um processo de desinfecção por microondas na estação de tratamento, localizada no bairro Cooperativa, antes de ser encaminhada para o aterro.
Segundo pesquisa divulgada pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) a cidade de Santo André é a segunda colocada no quesito produção de lixo, são 471 toneladas diárias.
Diadema vem logo a seguir com 235,8 toneladas. De acordo com o diretor do Departamento de Limpeza Urbana de Diadema, Ricardo Perez, o município produz 8 mil toneladas de resíduos domiciliares, 60 toneladas de resíduos infectantes ao mês. A Prefeitura, através do Projeto Pé na Rua, chega a recolher mais 5 mil toneladas de entulhos diversos ao mês.
“Além disso, em Diadema existe o Projeto Vida Limpa, relacionado à coleta seletiva, recebimento de entulhos e óleo vegetal usado. Nele trabalham cerca de 80 pessoas”, disse Perez.
Ainda segundo a pesquisa, a cidade de Mauá aparece em quarto lugar no ranking com produção diária de 230,7 toneladas. São Caetano fica em quinto com 70,2 toneladas de lixo. Ribeirão Pires fica em sexto lugar com 55,8 toneladas. E a cidade que menos produz é Rio Grande da Serra responsável por 15,2 toneladas de lixo.
Santo André é a única cidade que não deposita lixo neste aterro. Os resíduos produzidos pelo município seguem para o Complexo do Aterro Sanitário Municipal, criado em 1969 e administrado pelo Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André.
De acordo com o serviço, o programa de Coleta Seletiva começou a ser implementado em 1997, com o trabalho piloto em alguns bairros e espaços públicos. Hoje, o Semasa registra índice de participação de 60% da população.
Os resíduos são separados pelos munícipes em dois recipientes distintos: um para lixo úmido (lixo de cozinha, banheiro e pequenas podas de jardim) e lixo seco (embalagens, plásticos, papel, alumínio e outros materiais que podem ser reciclados).
As cerca de 500 toneladas de recicláveis mensais coletadas são entregues às cooperativas e aos outros programas sociais do município que fazem triagem e vendem para empresas recicladoras. Os projetos beneficiam 282 pessoas.
Das 240 mil toneladas geradas por dia em todo o país, cerca de 100 mil corresponde ao lixo domiciliar. Desses, cerca de 80% é lançado em lixões a céu aberto ou perto de cursos d’água. Apenas 10% do lixo é colocado em aterros sanitários, que oferecem condições estruturais para reduzir os danos ambientais.
“O problema do lixo na verdade é de educação. O poder público, além de não fazer sua parte, também não fiscaliza o trabalho que é feito pela empresa contratada”, afirmou o presidente do Movimento em Defesa da Vida no ABC, Virgílio Alcides de Farias.
Segundo Farias, que também é educador ambiental da S.O.S. Mata Atlântica, a velocidade do crescimento populacional e urbano e a falta de leis de proteção ao meio ambiente fazem com que o destino de grande quantidade de lixo seja impróprio e incerto.
Atualmente, cada cidade paga em média R$ 35 por tonelada à empresa que cuida do Aterro em Mauá.
No entender do educador, se os municípios investissem em um projeto de reciclagem seriam reduzidos em 85% os custos com o serviço de coleta.
São Bernardo é a cidade que produz maior volume de lixo na região. São 510,9 toneladas por dia e um gasto mensal em torno de R$ 540 mil. Desse total, 20% são resíduos potencialmente recicláveis que são encaminhados para os Centros de Ecologia e Cidadania, o doméstico vai direto para o aterro sanitário de Mauá e o lixo hospitalar, coletado de segunda a domingo pela ATT-Ambiental LTDA passa por um processo de desinfecção por microondas na estação de tratamento, localizada no bairro Cooperativa, antes de ser encaminhada para o aterro.
Segundo pesquisa divulgada pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) a cidade de Santo André é a segunda colocada no quesito produção de lixo, são 471 toneladas diárias.
Diadema vem logo a seguir com 235,8 toneladas. De acordo com o diretor do Departamento de Limpeza Urbana de Diadema, Ricardo Perez, o município produz 8 mil toneladas de resíduos domiciliares, 60 toneladas de resíduos infectantes ao mês. A Prefeitura, através do Projeto Pé na Rua, chega a recolher mais 5 mil toneladas de entulhos diversos ao mês.
“Além disso, em Diadema existe o Projeto Vida Limpa, relacionado à coleta seletiva, recebimento de entulhos e óleo vegetal usado. Nele trabalham cerca de 80 pessoas”, disse Perez.
Ainda segundo a pesquisa, a cidade de Mauá aparece em quarto lugar no ranking com produção diária de 230,7 toneladas. São Caetano fica em quinto com 70,2 toneladas de lixo. Ribeirão Pires fica em sexto lugar com 55,8 toneladas. E a cidade que menos produz é Rio Grande da Serra responsável por 15,2 toneladas de lixo.
Santo André é a única cidade que não deposita lixo neste aterro. Os resíduos produzidos pelo município seguem para o Complexo do Aterro Sanitário Municipal, criado em 1969 e administrado pelo Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André.
De acordo com o serviço, o programa de Coleta Seletiva começou a ser implementado em 1997, com o trabalho piloto em alguns bairros e espaços públicos. Hoje, o Semasa registra índice de participação de 60% da população.
Os resíduos são separados pelos munícipes em dois recipientes distintos: um para lixo úmido (lixo de cozinha, banheiro e pequenas podas de jardim) e lixo seco (embalagens, plásticos, papel, alumínio e outros materiais que podem ser reciclados).
As cerca de 500 toneladas de recicláveis mensais coletadas são entregues às cooperativas e aos outros programas sociais do município que fazem triagem e vendem para empresas recicladoras. Os projetos beneficiam 282 pessoas.
Lixão Clandestino. Até quando?
Na região do ABCD um depósito de lixo clandestino foi encontrado sob a torre de transmissão de energia da Eletropaulo e da Cetep (Companhia de Transmissão de Energia Paulista), entre a rua São Tomás Mouro, no bairro Sítio dos Vianas, em Santo André, e a rua Santa Rita de Cássia, no Jardim Industrial, em São Bernardo.
O local chega a receber por dia aproximadamente 40 caminhões carregados com lixos doméstico, industrial e entulho. Os moradores, cansados da situação que se arrasta desde julho, reclamam dos problemas causados por esse lixo.
“Os caminhões jogam todo tipo de lixo, a maioria vem de empresas privadas, são restos de construção, entulhos de caçamba. O local serve até como desova de carros roubados e de pessoas mortas”, afirmou o vice-presidente da Associação de Construção Comunitária por Mutirão do Jardim Industrial, Hermes Martins da Silva.
Para Silva, que também é morador do local, a preocupação cresce nos períodos chuvosos, pois o risco de desmoronamento do lixão é muito grande. “Qualquer chuva mais forte pode fazer o barranco do lixão cair em cima da favela da Mininha”.
Edson da Costa, outro morador do bairro, diz que a situação se agrava quando ateiam fogo no lixo. “Quando colocam fogo nos entulhos fica um cheiro insuportável”.
Entretanto, o problema não é recente. O mais conhecido depósito de lixo clandestino foi o do Alvarenga que, durante 20 anos, foi usado pelas Prefeituras de São Bernardo e de Diadema como única saída para a destinação do lixo produzido pelas duas cidades. O terreno, com cerca de 400 mil m², situado na divisa dos dois municípios, teve que ser fechado por determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça).O lixão funcionava de forma irregular e, desde 2003, os prefeitos da região se comprometeram a transformar a área em um grande parque, o que até hoje ainda não foi feito.
No Brasil, cerca de 45 mil pessoas sobrevivem coletando dos lixões objetos e alimentos, tanto para a venda, quanto para o consumo. Esses locais acumulam lixo hospitalar, remédios vencidos, além de tóxico como baterias e pilhas. Estima-se que cada bateria ou pilha depositada de forma inadequada contamine uma área de um metro quadrado.
Metais pesados como chumbo, mercúrio e seus compostos podem provocar graves doenças neurológicas, além de afetar a condição motora.
A reciclagem é uma saída para amenizar a quantidade de lixo produzido pela população. A seleção e a recuperação de lixo urbano no mundo já é prática rotineira e generalizada em diversos países, principalmente nos desenvolvidos.
Trabalho que recicla a Vida
Ex-catadora do extinto lixão do Alvarenga, Aparecida Margarete de Souza, 39 anos, teve sua vida mudada ao ingressar no programa de reciclagem Lixo e Cidadania, criado em fevereiro de 2001, pela Prefeitura de São Bernardo, para acolher os ex-catadores do extinto lixão do Alvarenga e ex-catadores de materiais recicláveis de rua.
“Melhorou muito, aqui a gente tem horário fixo, hora para almoçar, trabalha em equipe e não tem competição. Sabe que no final do mês tem um salário garantido. Lá, a gente ficava embaixo do sol quente, tomava chuva, e nem sempre conseguia tirar dinheiro com o que recolhia”, contou a recicladora.
Hoje a Associação de Reciclagem Raio de Luz, localizada na Vila Vivaldi, conta com 21 associados, que chegam a arrecadar mensalmente 40 toneladas de lixo.
O material recebido é separado e vendido para vários compradores e o valor que é arrecado é dividido de maneira igual entre os associados, que chegam a receber em média R$ 400 por mês.
A Associação conta com o apoio da população, de empresas e escolas que facilitam o trabalho dos recicladores depositando o lixo reciclável nos ecopontos, latas coloridas que servem para colocar o lixo trazido de casa.
Apesar de contar com esse apoio, os recicladores contam que chegam a sofrer preconceito pelo tipo de trabalho que realizam. “A gente se sente meio desvalorizada, pois fazemos um trabalho para ajudar o meio ambiente e as pessoas acham que a gente só pega lixo, mas sei que é um trabalho digno. Por isso, eu me sinto muito feliz em poder trabalhar aqui e sustentar minha família” afirmou Aparecida.
Outro integrante da cooperativa, Elias Domingos de Barros, 34 anos, trabalhou durante oito anos no lixão do Alvarenga. Lá conheceu sua esposa e constituiu família. Há cinco anos desenvolve o trabalho de reciclagem na Raio de Luz.
“O nosso trabalho contribui não só para o meio ambiente como também para o município que acaba gastando muito menos. Assim todos saem ganhando, a gente que tem um trabalho, a prefeitura que economiza e as pessoas que ganham mais qualidade de vida”, afirmou Domingos.
(Publicado originalmente no blog do Uol no dia 25/03/2006)


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